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20 comentários em “Zé Carlos e a sua música: da pequena burguesia à luta anticolonial”

  1. Cecilia Fonseca

    A linguagem clara, profunda e cadenciada com que o assunto é narrado, torna a sua leitura cativante. Ler este artigo sobre o Zé Carlos, aliás este trecho sobre a sociedade guineense, dos anos 60 do seculo passado até ao presente, dando ênfase à música e à cultura Bissau guineense, personificada por José Carlos Schwarz , para mim é fechar os olhos e reviver….

  2. Li o teu texto com prazer. A avaliação global é que o texto é muito pedagógico e tem muita informação útil. Pode ter um grande impacto no nosso contexto apesar de as pessoas lerem pouco.

  3. José da Cunha

    Agradeço por esta inestimável relíquia e memória. Este artigo e uma obra literária em miniatura espelhando à memória e feitos inolvidáveis do poeta maior e ícone da Cultura Nacional.

    É excusado perguntar se isso me interessa tudo relacionado com ZÉ CABALO me interessa sobremaneira.

  4. Agradeço imenso por ter partilhado o texto sobre José Carlos Schwarz. A sua abordagem ao percurso e à contribuição de José Carlos Schwarz na luta pela independência da Guiné-Bissau, bem como na afirmação da identidade cultural — particularmente através da música — ensinou-me muito sobre a importância de valorizar o que é nosso para o bem da nossa sociedade e cultura.

    Por outro lado, o texto continua a abrir-me os olhos para a importância de nós, guineenses, assumirmos plenamente o protagonismo da nossa identidade cultural e representarmos, sem rodeios, aquilo que verdadeiramente somos.

    Fiquei igualmente impressionado ao saber que o tio Zé teve o privilégio de conhecer pessoalmente José Carlos Schwarz, uma lenda que partiu cedo demais, sem termos tido a oportunidade de explorar tudo aquilo que ainda podia oferecer ao país.

    O texto explora muito bem o espírito de resistência que movia os jovens daquela época e, para mim, dissipou uma grande dúvida que me vinha inquietando ao longo do tempo: O texto aborda uma questão historicamente complexa e raramente discutida na literatura ou na historiografia guineense: a tese de que José Carlos Schwarz e alguns dos seus contemporâneos teriam aderido ao PAIGC apenas na fase terminal da guerra de libertação. Segundo esta visão, teriam aproveitado o seu estatuto de ‘meninos de praça’ para se posicionarem na vanguarda da nova ideologia libertadora da Guiné-Bissau. Estas nuances e ambiguidades permanecem, até hoje, insuficientemente esclarecidas, tanto nas fontes literárias como nos registos históricos disponíveis sobre o país. Fico muito satisfeito com o nível de conhecimento que este trabalho me proporcionou.

    Por isso, continuo a defender a ideia de que é necessário implementar novas estratégias no nosso sistema de ensino, nas escolas, para permitir que os jovens estabeleçam uma ligação intelectual com a nossa identidade cultural, promovendo um ecossistema cultural sólido que, no futuro, poderá permitir ao país demonstrar ao mundo o que é, verdadeiramente, ser guineense.

  5. Fátima Gomes Lopes

    Acabei de ler o artigo sobre Zé Carlos no teu blog. Fiquei presa à leitura até ao final. Que excelente contribuição para a nossa história que muitos teimam em desvalorizar.

  6. Meu Amigo Filipe,
    Quero te felicitar, por este trabalho sério e muito bem fundamentado
    sobre a vida e a obra do nosso imortal José Carlos Schwarz. O texto consegue ir além de uma simples biografia. Mostra-nos um artista profundamente ligado ao seu tempo, à luta anticolonial e à construção da identidade nacional guineense. Um dos aspetos mais marcantes é precisamente a forma como a música é apresentada não só como arte, mas como uma verdadeira arma de consciência, mobilização e união do povo. Destaco também a análise do percurso social e cultural de Zé Carlos, sobretudo o seu processo de “reafricanização”. Isso ajuda-nos a compreender melhor como alguém vindo de um meio relativamente privilegiado se transforma num símbolo de luta, coerência e compromisso com o seu povo. Ao mesmo tempo, penso que o trabalho poderia ainda ir um pouco mais longe em alguns pontos. Por exemplo, seria interessante aprofundar mais o impacto internacional da sua música e trazer exemplos concretos de canções para ilustrar melhor a força das suas mensagens. Também seria importante refletir mais sobre como preservar e transmitir este legado às novas gerações, já que muitos jovens hoje pouco conhecem esta figura fundamental. Apesar disso, estamos claramente perante um contributo de grande valor para a nossa memória coletiva. Este texto não só homenageia Zé Carlos, como também nos desafia a pensar sobre o papel da cultura, da música e da juventude na transformação da sociedade. Muito obrigado, um grande abraço do teu amigo SANFA

  7. Pierre Campredon

    Passionnant ! J’ai aimé par-dessus tout le croisement (la fécondation) entre le contexte politique et social, l’évolution de la culture musicale guinéenne et l’évolution personnelle de JC Schwarz.

    Un grand merci Zé Filipe pour avoir écrit et partagé ce travail de fond.

  8. Muito obrigada pelo artigo. Foi uma delicia viajar no tempo atravéz das linhas do teu texto. Para mim foi um regresso ao passado ou melhor a ” meio passado” porque afinal havia muitos buracos nas minhas memórias desse tempo, do percurso de Zé Carlos, do movimento musical, do surgimento da música moderna guineense, etc… Há no artigo vários grupos musicais que nunca tinha ouvido falar confesso.

    Entre história e sociologia apresentas uma análize sem receios, realista e despretenciosa da época. Gostei. Eu reconheço-me nela e tenho a certeza de que qualquer pessoa do ” nosso meio”, que tenha vivido esse periodo e que leia este artigo terá a mesma sensação.

    Uma coisa que me chamou atenção no artigo foi a ” reposição da verdade” que tem a ver com a ideia ou afirmação de que José Carlos ou Cobiana terão sido os primeiros a produzir música em crioulo. Também me fazia alguma confusão esta afirmação. Na verdade crescemos a ouvir as músicas de tina e mandjuandadis todas elas em crioulo ( na bota dito). Aliás como dizes e bem influenciaram, estão na base da nossa música moderna.

    O que me parece que poderia ter sido mencionado é a prisão de José Carlos e alguns elementos do Cobiana pela PIDE. Mostra que no fundo a música embora boa e muito aceite era um veículo echo mesmo tempo uma capa que cobria um movimento político real da juventude. Aqui há como que um processo de ” tramutação” ou transição de músicos/artistas a políticos declarados.

    Eu ainda me lembro de José Carlos de pé em cima do muro da PIDE-DGS, no pós 25 de Abril, em Bissau a acalmar a população. Tinham-no tirado naquele momento das celas para falar à população. A minha mãe, por sua vez, estava em cima do muro da nossa casa que era ao lado da PIDE. Eu cheguei da escola e vi aquele cenário de que ficou gravado na minha mente para sempre. A primeira frase da minha mãe quando me viu: ” ko ko ko … tok mdiskici nha fidju “. Ela estava na lua. Feliz da vida. Pois tinha 2 filhos adolescentes e tinha pavor da tropa.

    Gostei muito do artigo. Aprendi muito sobre a nossa história.
    Mais e mais pessoas da nossa geração devia escrever textos destes para deixar um testemunho daquela época. Tantos já se foram e levaram consigo muita informação nunca escritas.

    Obrigada uma vez mais pelo carinho e confiança

  9. Manuel Mendonça (Nhomba)

    Só hoje tive tempo de ler este teu ensaio, que achei muito interessante, pois alberga muita informação sobre a nossa história cultural. Parabéns e continua com este teu estilo franco e curioso de recolher e transmitir informações valiosas à nossa gente e não só.

  10. Li o trabalho com toda atenção. E é uma honra para mim de participar num projeto tão importante. Confesso que é o primeiro trabalho do Zé Carlos que eu leio. Descobri a história da vida do Zé Carlos que eu não conhecia, de igual modo as informações sobre algumas pessoas referidas neste trabalho ex. o Ducko, que é uma pessoa próxima, mas não sabia que ele foi também preso com o Zé Carlos.

    Entre outros, percebi o processo de desvalorização da nossa cultura pelo colonialismo portugues. O trabalho fala de um tema pertinente e de um lendário da música Guinensse que merece ser conhecido profundidade por todos nós.

    Eu gosto das músicas do Zé Carlos Schwarz, aprecio o conjunto Cobiana Jazz mas entretanto conheço pouco as suas histórias. Sempre pensei desta forma: Zé Carlos = Cobiana e Cobiana = Zé Carlos, com este trabalho descubri que o Zé Carlos ja tinha começado a sua vida artistica com outros grupos musicais antes do Cobiana.

    No trabalho falas do “minino de praça” filho de funcionario dos correios com uma certa posição aceitável na sociedade com ideias anti colonial e que revolucionou a música guineense cantada en criolo. Nem podia imaginar no um perigo que ele vivia e a sua familia tambem.

    Despertou-me a curiosidade de pensar: Qual foi a ideia de criação do conjunto Cobiana? Porquê o nome Cobiana? Tem uma parte que falaste da emoção que a musica do Zé Carlos produz na maioria das pessoas. Confirmo que sou uma das que sente a musica do Zé Carlos nas minhas veias, até hoje quando sinto saudades da Guiné ponho logo o Zé Carlos e o Cobiana Jazz. Suponho que era esta mesma sessão que a musica do Zé Carlos provocava nos meus pais como combatetens nas matas do Sul. Ou seja as músicas do Zé Carlos ocupam sempre um lugar especial na coração dos guineenses seja qual for a época. Penso que deviamos conhecer mais o Zé Carlos e as suas obras. Gostaria de fazer um pedido na medida dos possíveis, de continuar este trabalho sobre Zé Carlos.

    Organizar um evento como aquele que vocês fizeram nos 50 anos de Super Mama Djombo, pode ser numa escala reduzida ou não. Participavam pesoas que conhecem o Zé Carlos, colegas de conjunto, os familiares, os que estudaram as suas obras e outros.

  11. Isabel Miranda (Beloca)

    Em primeiro lugar gostaria muito de agradecer a publicação sobre Zé Carlos Schwarz. Muitas informações, úteis e a título de reflexão, daria mão a palmatória pelas coisas a não repetir. Gostei da maneira como abordaste o assunto, a articulação do contexto com a cultura e arte. Eu tinha uma grande admiração pelo “Zé Cabalo” e pela musica que despertou a nossa geração sobre os factos e o poder da música. Senti a tua paixão naquilo que escreves.

  12. Yasmin Horta Camara

    Esta leitura acabou por ser muito mais do que um exercício de comentário. Permitiu-me descobrir mais profundamente uma das formas mais fortes de resistência guineense: a resistência cultural.

    Ao longo do ensaio, percebe-se como a música, a língua e a arte participaram na construção de consciências anticoloniais e na afirmação de uma identidade coletiva. Também se percebe como essas ideias circulavam entre diferentes territórios, culturas e gerações.

    Os meus comentários foram feitos sobretudo com a intenção de aproximar o texto de leitores que não possuem automaticamente o contexto histórico, político e cultural da época, mas que podem, através deste ensaio, descobrir a riqueza humana, artística e simbólica do percurso de Zé Carlos e do Cobiana.

  13. Acho essa tua iniciativa nobre, e é sem duvida de louvar.

    Eu sou da opniao de que ter conhecimento e não transmitir-lhes, é mesmo que não ter.

    Se reparares, infelizmente não temos por hábito registar histórias ligado a sociedade, inclusive familiares…o que é grave.

    É verdade que nem toda gente tem esse dom e sensibilidade, por isso quero te encorajar a fazer a tua parte como um dos bons filhos que a nossa Guiné tem.

    Fiquei a saber de coisas que jamais imaginava,e tenho a certeza de que todos juntos podemos ainda resgatar muito coisa.

  14. Excelente artigo. Achei particularmente interessante todo o contexto apresentado, que ajudou a compreender melhor a sua importância e o impacto do seu percurso. Parabéns e fico ansioso por mais artigos sobre as figuras do nosso país que nos ajudam a conhecer a nossa história.

  15. Sonja e Arnold Schwab

    Caro Zé Filipe

    Lemos no teu blog o artigo sobre José Carlos Schwarz. Traduzimo-lo para alemão e enviámo-lo aos outros membros da Associação Tabanka. É uma contribuição importante para os nossos membros compreenderem o desenvolvimento, a mentalidade, a opressão e a cultura dos povos africanos. Trata de um percurso muito interessante deste jovem artista que infelizmente morreu cedo demais. Principalmente a sua música “que que menino na chora…”, mas também as outras deram um grande contributo ao movimento de libertação e o desenvolvimento nacional da Guiné-Bissau. Infelizmente só temos um disco dele. Mas na Internet pode-se ouvir e estudar quase todas as suas músicas no site Rádio Cobiana.

    O teu artigo é uma importante análise histórica da música Gumbé e do desenvolvimento da música independente na Guiné-Bissau. Infelizmente há hoje menos textos direcionados para uma crítica social profunda, embora isso continuasse provavelmente a ser necessário.